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Brasil ganha destaque internacional com descoberta de variante genética que influencia obesidade

Postado em Pesquisa

Mais uma vez as pesquisas em diversidade genômica lideradas pelo coordenador do Laboratório de Diversidade Genética Humana (LDGH) da UFMG, Eduardo Tarazona Santos, ganham repercussão mundial com destaque em publicações internacionais. Desta vez, os holofotes estão sobre a descoberta de uma variante genética que favorece a obesidade entre mulheres brasileiras miscigenadas. O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Obesity, uma das mais importantes na área. 

O trabalho, que conta com pesquisadores de 22 instituições brasileiras e estrangeiras, traz um achado relevante, tendo em vista a gravidade do tema da obesidade, que é inclusive um dos fatores de risco da Covid-19. No Brasil, estima-se que os obesos representam 25% da população, o que faz da doença um grave problema de saúde nacional. 

A variante genética descoberta pelos pesquisadores brasileiros é de origem africana, o que é um detalhe importante, tendo em vista que a maior parte das pesquisas existentes hoje investiga variantes europeias.  

“O mundo está atrás de outras variantes menos estudadas e nosso grupo aproveitou o fato de os genomas dos brasileiros miscigenados serem mosaicos de fragmentos de origens africanas, europeias e indígenas, para procurar variantes genéticas que predisponham para obesidade”, afirma Eduardo.  

Segundo ele, embora a variante esteja presente em homens e mulheres, ela só influencia no aumento do índice de massa corporal (IMC) das mulheres. Além disso, seu efeito é mais significativo do que outras já conhecidas. De acordo com o professor, a presença dessa variante também interfere na predisposição de obesidade mórbida, aumentando em 10 vezes as chances do desenvolvimento dessa forma grave da doença. 

Ilustração extraída do artigo publicado pelo prof. Eduardo Tarazona no International Journal of Obesity mostra a variante genética de origem africana
Sinergia com o mercado de inovação  

Eduardo Tarazona Santos explica que a descoberta da variante africana foi possível graças a um completo banco de dados genômicos, fruto de um projeto anterior, liderado por ele na UFMG. Ele se refere ao Epigen – Brasil, que foi financiado pelo Ministério da Saúde e se tornou a maior iniciativa latino-americana para investigar a predisposição para doenças complexas a partir da análise genômica de populações miscigenadas.  

Segundo ele, no início desse projeto, foi fundamental o apoio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) no que diz respeito à aproximação com o mercado de inovação. A Fundação auxiliou os pesquisadores na contratação de uma empresa americana, que foi a responsável pelo mapeamento do DNA na fase dos exames de varredura genômica. 

“Esse processo foi muito importante para viabilização do banco de dados genômicos, que é um dos maiores hoje e que tem gerado frutos como essa descoberta recente”, diz. Alguns anos depois o professor voltaria a apostar nessa aproximação do mercado por meio do programa Outlab, iniciativa executada pela Fundep e pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG (PRPq) com a missão de aprimorar a frente de negócios de laboratórios de universidades. 

O Laboratório de Diversidade Genética Humana (LDGH), coordenado por Eduardo, foi um dos 25 participantes do programa de aceleração, que aconteceu em 2019 e ofereceu 10 semanas de imersão em conteúdosmentorias e práticas de conexão com o mercado de inovação. Para Eduardo, as metodologias e ferramentas apresentadas no programa ajudaram os pesquisadores do LDGH a pensarem de forma mais prática nessa conversão do conhecimento científico em produtos e serviços. 

“Para essa pesquisa da variante genética africana, por exemplo, nós utilizamos uma série de softwares que podem ser usados na mineração de dados para pesquisas de outras doenças. Estamos tentando entender como esses programas podem ser licenciados e comercializados. Esse é um processo muito difícil, mas estamos convencidos da importância de nos apropriarmos dessas descobertas científicas não apenas para atuação no mundo acadêmico, mas também no mercado de inovação”, diz. 

Thaís Simões, da área de Inovação da Fundep, lembra que, apesar das ricas possibilidades de sinergia entre os laboratórios de pesquisa e a indústria, esse não é um movimento natural na prática e, por isso, a construção de pontes é tão importante. “O ambiente acadêmico é muito diferente do mercado, então a Fundep, por transitar bem entre universidades,  empresas e  governo, cumpre esse papel de conectora e promove essa interação”, diz. 

Segundo Bernardo Anonni, também da área de Inovação da Fundep, essa conexão é importante não apenas para a geração de negócios para os laboratórios e para as empresas, mas também para a melhoria de condições de vida da sociedade. Isso porque a transformação de conhecimento científico em melhores produtos e serviços favorece diretamente a qualidade de vida da população.  

“No fim do dia, o que a gente quer com iniciativas como a do Outlab é que os laboratórios tenham um relacionamento duradouro com a indústria, de maneira que essas empresas passem a servir melhor a sociedade com suas soluções”, conclui. 

 

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