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SibratecNano abre inscrições para viabilizar projetos de nanotecnologia

Postado em Inovação
nChemi, empresa beneficiada pelo SibratecNano, produz revestimento nanométrico para ferramentas cirúrgicas. Crédito: reprodução

Em busca de soluções inovadoras, programa aproxima comunidade científica e tecnológica com empresas. Inscrições podem ser feitas até 2 de julho

 

Quando criou a empresa nChemi, Bruno Lima, em parceria com alguns sócios, tinha o objetivo de fabricar nanopartículas para indústrias. Os pós cerâmicos deveriam ser usados por empresas de diversas áreas como matéria-prima para reforçar qualquer tipo de produto, como metais usados na construção civil. O problema foi que a pouca informação sobre a tecnologia fez com que a demanda fosse baixa. Eles então inovaram: passaram a revestir brocas cirúrgicas e vendê-las para fabricantes de equipamentos ortopédicos. A ideia avançou e agora é aprimorada para ganhar maior escala. A empresa é uma das beneficiadas pelo programa SibratecNano, que oferece investimento e aproximação com importantes centros de pesquisa do país e aproximação com importantes centros de pesquisa do país e está com inscrições abertas para o 10° ciclo de avaliação até 2 de julho.

Desde que as brocas revestidas com nanotecnologia passaram a ser vendidas, no final de 2020, até o momento, mais de 2 mil cirurgias foram feitas com o equipamento em diferentes estados. De forma simplificada, as peças são mergulhadas em um tanque com as nanopartículas criadas pela nChemi e, com isso, passam a ter mais tempo de corte e a aquecer menos. Mudanças significativas para aumentar a segurança e precisão das cirurgias. “As brocas são usadas, por exemplo, para furar ossos, fazer rasgos no crânio ou no fêmur. Após modificadas, elas não perdem corte durante a cirurgia, o que é comum. Além disso, o atrito costuma aquecer muito o equipamento fazendo com que gere até queimaduras ou aumente o tempo de recuperação. Com a aplicação da nanotecnologia, a temperatura cai em torno de 10 graus, dando maior segurança aos procedimentos”, conta Bruno.

Agora, os empreendedores lidam com outro desafio: a limitação de espaço para mergulhar equipamentos maiores no tanque com as nanopartículas. “Nós colocamos no mercado o produto já sabendo dessa necessidade de alteração. Então, nos inscrevemos no SibratecNano para termos ajuda nesse aperfeiçoamento. Fomos aprovados no terceiro trimestre de 2020 e vamos ter esse apoio até o final do ano que vem. O programa entrou com 95% do investimento necessário para pagar os pesquisadores e nos conectou com o Laboratório Nacional de Nanotecnologia, um dos melhores do mundo nessa área”, explica o fundador.

O investimento previsto no projeto é de R$ 450 mil e o resultado projeta mudanças significativas: de tanques a sprays com nanopartículas. “Nós não teríamos esse recurso para investir em pesquisa e aprimorar o produto, nem estaríamos em contato com os pesquisadores. É um apoio muito significativo”, afirma. Quando estiver testado e pronto para uso, o spray vai permitir que a tecnologia seja usada em vários outros setores. Não haverá limitação de espaço e as aplicações poderão ser feitas por cada empresário. “Vamos poder mudar nosso negócio. Ao invés de fazer a aplicação, vamos distribuir a tecnologia que aumenta a durabilidade e a resistência de equipamentos metálicos”, explica.

 

O programa

O SibratecNano – Centros de Inovação em Nanotecnologia – busca fomentar e implantar a cultura da inovação nas empresas brasileiras, principalmente as micro e pequenas, que atuam com nanotecnologia. O programa tem o papel de aproximar a comunidade científica e tecnológica dos empreendimentos, potencializando o valor agregado de seus produtos. Para participar, as empresas devem apresentar um projeto em colaboração com um ou mais Institutos de Ciência e Tecnologia do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNANO).

“O objetivo é facilitar a interação entre os laboratórios SisNano que possuem infraestrutura laboratorial de ponta e as empresas que necessitam inovar na área de nanotecnologia ou utilizar a nanotecnologia para gerar novos produtos e processos. Ele fecha esse gap entre a academia e o setor produtivo fomentando projetos, financiando projetos e levando as empresas a participarem do ambiente de inovação de dentro dos laboratórios SisNano e vice versa. O programa é um facilitador de inovação ao criar mecanismos e condições para que o conhecimento da academia chegue na forma de produtos ao mercado”, explica o coordenador do SibratecNano, Carlos César Bufon.

Para esse novo ciclo de avaliações, as expectativas estão altas. “Temos observado um aumento crescente no número de propostas submetidas. A gente espera que nesse ciclo cresça ainda mais, uma vez que  os valores aportados pela rede foram aumentados para acompanhar a inflação, a alta do dólar. Isso torna a rede mais atraente para submissão de projetos”, diz Bufon.

O SibratecNano possui recurso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e execução da Fundep.

 

Clique aqui para saber mais sobre o 10° ciclo de avaliação do SibratecNano e fazer sua inscrição.

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