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Tudo azul contra arboviroses

Postado em Ciência, Tecnologia e Inovação

Eliminar ou amenizar os impactos provocados pelo mosquito Aedes aegypti é um desafio para autoridades da saúde pública e pesquisadores do Brasil e de outros países. E a ciência está, a cada dia, avançando na direção das soluções. O World Mosquito Program (WMP) é uma iniciativa internacional sem fins lucrativos que se dedica a proteger a comunidade global de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, zika e chikungunya. O projeto teve início na Austrália, com pesquisadores da Universidade de Monash, e, atualmente, opera em outros 11 países, incluindo Colômbia, México, Indonésia, Sri Lanka, Índia, Vietnã, Kiribati, Fiji, Vanuatu, Nova Caledônia e Brasil. A iniciativa foi trazida para o Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio do Ministério da Saúde.
Projeto
O programa consiste na introdução da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti, vetor das doenças, que funciona como uma espécie de vacina que impede o vírus de se multiplicar no organismo do inseto. A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza. Ela foi inserida em ovos de Aedes aegypti na Universidade de Monash, na Austrália, onde se identificou que, uma vez presente nestes mosquitos, a capacidade de transmissão das doenças fica reduzida. De acordo com o líder do WMP no Brasil, Luciano Moreira, “o método utilizado é seguro para as pessoas e para o ambiente e tem o objetivo de proteger a população dos bairros atendidos dessas doenças”.
As ações do projeto seguem protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e se dividem em diferentes etapas: engajamento comunitário (em que equipes dos projetos interagem com a população e instituições para difundir informações sobre o metódo e o projeto); liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia; e o monitoramento da população de Aedes aegypti.
Resultados – Rio de Janeiro
No Brasil, os trabalhos se iniciaram no Rio de Janeiro, em 2015. As ações do World Mosquito Program (WMP) estão avançando e a liberação de Aedes aegypti com Wolbachia chega a oito novos bairros, atendendo , ao todo, 25 bairros cariocas. Considerando as cidades Rio e Niterói, a cobertura do projeto vai alcançar 1,15 milhão de habitantes.
Em Tubiacanga, área piloto do WMP no Brasil, o índice de Aedes aegypti com Wolbachia permanece acima de 90%, dois anos após o término das liberações. O monitoramento é feito semanalmente. Nos dez primeiros bairros da Ilha do Governador, onde foi iniciada a fase de expansão do projeto, em agosto de 2017, o índice de Aedes aegypti com Wolbachia é alto, acima de 60%. Nos demais bairros, o estabelecimento está em curso e os índices estão dentro das médias esperadas. No site do WMP é possível acompanhar o andamento do projeto.
Belo Horizonte também deve integrar a cobertura das ações do WMP em 2019.
Comemoração
Para marcar a chegada dos mosquitos aliados no combate à dengue, zika e chikungunya no território que inclui o campus de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Castelo Mourisco está iluminado de azul nesta terça (18) e quarta-feira (19/09).
Fundep parceira
A Fundação participa deste projeto gerenciando parte do financiamento internacional que vem de contrato firmado entre Fundep, Fiocruz e a Universidade Monash. “É uma pesquisa muito importante para a nossa sociedade e com resultados práticos, como a diminuição da epidemia nos locais trabalhados. Para a Fundep é um projeto estratégico de extrema relevância para a sociedade e contribui muito para o aprendizado de toda a equipe e a busca pela melhoria dos serviços prestados”, diz a analista do projeto na Fundep, Simone Simões.
Sabrina Abreu, da Assessoria Jurídica da Fundep, também ressalta a satisfação em fazer parte da iniciativa: “É um projeto no qual sentimos grande orgulho em poder acompanhar e ver as ações de cunho social realizadas pela equipe técnica do projeto. Quando me reúno para tratativas jurídicas das compras e contratações a serem realizadas no âmbito desse projeto, percebo que cada item, por menor que seja, é de extrema importância para a sua execução. É perceptível o carinho e amor de todos os envolvidos na equipe, sendo impossível não dedicar e propor alternativas para solução dos problemas do dia a dia”.
Outra área envolvida na Fundep para a execução da iniciativa é a Gerência de Compras. “A partir de reuniões, parceria e movimentação interna entre as áreas, muitas ações estão sendo produzidas com impactos positivos, dentre elas destaco as contratações contínuas de serviços e bens, tais como o  fornecimento de filó para soltura dos mosquitos nas áreas previamente mapeadas, manutenções predial e das instalações, locação de veículos na cor prata ou branca, extrato de extrato de fígado e ração para os mosquitos, empresa de divulgação das ações de engajamento a comunidade, bem como maior proximidade da analista do projeto com os compradores responsáveis, estreitando barreiras”, diz Marilene Silva.
 
Fonte: com informações da Agência Fiocruz de Notícias e do site wmpbrasil.org

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